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segunda-feira, 7 de março de 2016

Febre de dengue

Case-se, Mari.
Eis o meu plano: você constrói sua piscina e chama seu povo para a inauguração, rigorosamente só seu povo, esse pingado de pinçados.
É uma surpresa. Será nosso segredo, do jeito que você gosta.
Deixe que as margaridas eu compro.
Prepare dois vestidos brancos, um pra você, outro do tamanho de uma dançarina de ainda quatro anos - mas esse último muito rodado, sem falta.
O noivo não pode esquecer que são, então, duas alianças. Que ache um anel bem delicado, e disso nem precisa ser avisado, porque a esta altura não é possível que já não tenha entendido que você é grande por acidente e levanta pesos por engano; todo o em volta e o de dentro, especialmente, é de porcelana miúda. Praticamente uma gueixa mineira.
[A bem da verdade eu imaginava seu vestido amarelo. Mas pensei depois que o amarelo é meu. Pra dizer então com o centro gravitacional das margaridas, combinei com o sol presença certa. Preocupa não.]
Case-se Mariana. Por inteiro, Mari. Comer pelas beiradas pode até ser de ordem nas Gerais, mas casar pelas beiradas é um desperdício triste. Imperdoável economia de vida.
Tem coisa que tem que terminar. E tem término que significa simplesmente começar.
Abrace de uma vez os diabos desse homem que ele já abraçou os seus há muito tempo. Fácil não é, mas, ao mesmo tempo, como explicar, é o oposto do complexo. Relacionar-se com alguma sabedoria depois do segundo degrau só assim mesmo: diabos abraçados, quem sabe até de porre em algum carnaval.
A dúvida tem que ter seu prazo de validade. Dividir o quarto assim com ela pra sempre não dá; uma das duas passa a cair do beliche. Prefiro que seja ela pra nunca mais te ver de olho roxo de manhã e gaveta de mesa cheia sabe-se lá de quê.
Ok, você pode usar seus óculos, servir só vinho rosé e pegar a taça dos outros. Chame para o cortejo seu amado criancil. Elas pisarão em folhas de outono e carregarão nas mãos pequenos lagartos, que não deixarão de te comemorar. Acho que vejo alguns tucanos também.
Case-se assim que possível. Case-se com o possível. Todo mundo faz assim. Quer dizer, na verdade nunca perguntei pra todo mundo, mas não carece. Tem quem saiba disso de antemão. Tem quem descobre depois e rache irrecuperavelmente. Tem quem faça seus combinados e siga. Não seja dos que viram pedra e engessam tudo à morte. Seu amor por pedras não pode chegar a tanto.
Case-se de Mariana.
A gente arranca de madrugada aquele maldito cadeado da loja de noivas em Buenos Aires. Mau presságio também deve ter no nosso desejo o seu limite.
Diga sim, esse sim que, no final das contas, é sempre muito mais pra gente do que pra qualquer outra pessoa. Eu faço coro contigo.
Simmmmmmmmmmmmmmmmmm!

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